Se perdeu…

Vivemos a era dos achados e perdidos. Por sinal, bem mais perdidos do que achados.

Sim, perdidos… acho fantástica essa analogia. No fim, que adjetivo abrangeria melhor o que acontece hoje? Mais do que nunca os princípios estão perdidos, a individualidade está perdida, a originalidade então… clama por socorro!

Redes sociais funcionam como catálogos (quando não como cardápio), onde “ser mais legal que o próximo” é lei, e a sensação de viver mais pelo outro do que por si mesmo parece crescer e envolver a todos como uma onda estratosférica, porém silenciosa, e sem pontos de fuga.

Ok, isso não é sentimento novo do ser humano. Desde sempre tentamos nos destacar no meio de tantos e tantos como nós… mas desde quando isso significa ter que pisar e cagar na cabeça do próximo? Sim, a palavra é cagar, pois quero dar justamente esse sentido sujo e repugnante para tal atitude.

Pois é, vó, tu que sabia das coisas! “Quem vê cara não vê coração”…



E coração é o que mais se acumula nas salas de achados e perdidos, criando teias na espera de donos que nunca aparecem.

playing on a tablet LOL sorry for this, at least I tried…..
guisampaio:

aids-pop-repressao:

guisampaio:

Me and Matt at the park.

YOU GUYS ARE SO CUTE WHY ARE ALL MY FRIENDS SO CUTE WHY CAN’T I BE CUTE LIKE YOU OMG YOU ARE TOO ADORABLE here let’s have a hug i miss you

wE MISS YOU!!! YOU SHOULD BE AT CAIO WITH US ))))):

ERMAHGERD /o/

O Dia da Criação

I

Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na Cruz para nos salvar.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.

Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.

II

Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado.
Há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado.
Há um homem rico que se mata
Porque hoje é sábado.
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado.
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado.
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado.
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado.
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado.
Há um grande espírito de porco
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado.
Há criancinhas que não comem
Porque hoje é sábado.
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado.
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado.
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado.
Há um tensão inusitada
Porque hoje é sábado.
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado.
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado.
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado.
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado.
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado.
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado.
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado.
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado.
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado.
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado.
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado.
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado.
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado.
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado.
Há a comemoração fantástica
Porque hoje é sábado.
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado.
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado.
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado.

III

Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, ó Sexto Dia da Criação.
De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas
E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra
Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário
Nem tu, mulher, ser vegetal dona do abismo, que queres como as plantas, imovelmente e nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias
Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos
Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas em queda invisível na terra.
Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda e missa de sétimo dia,
Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das águas em núpcias
A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula.
Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo
E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.

Vinícius de Moraes: O Dia da Criação

No que você está pensando?

Ao entrar no facebook, me deparei com a caixa de diálogo do status, encontrando a pergunta “No que você está pensando?

Sendo sincero, estou pensando nas pessoas que não tem a capacidade de respeitar nem mesmo as pessoas que mais as amam no mundo. E, a partir daí, imagino então como deve ser o relacionamento com outras pessoas.

Também estou pensando em até que ponto precisamos aguentar as fases e mudanças de alguém, ainda mais quando essas fases duram anos e anos de desrespeito.

Penso também naqueles que “não pensam” nisso, por estarem inabaláveis na missão de querer o bem dessas pessoas que tão pobres são por acharem que seus problemas são sempre maiores que os dos outros.

E em conclusão, encontro um modelo de alguém que espero nunca me tornar, e sinto uma tristeza imensa crescendo em mim por descobrir isso.

Fica fácil quando pensamos num mundo girando em torno do nosso umbigo: nossos problemas, nossos obstáculos, nossas escolhas… e olhando assim, não vemos o que existe além disso, o mundo real que, comparado ao “nosso”, mostra o quanto podemos ser fúteis e egoístas.

Acredito que nunca seja tarde para crescer, mas isso não significa que o tempo irá conservar aqueles que tentam mostrar-te isso de todas as maneiras possíveis.

Enfim apertei minha contagem regressiva.
Tic, tac. Tic, tac.

"Eu sinto a falta de você, me sinto só
E aí? Será que você volta?
Tudo à minha volta
É triste…"

Decisões

Pois então o banquete foi servido em minha mente, onde lembranças famintas atacam vorazmente todo e qualquer sentimento que aparente fraqueza.

E é aquela bagunça generalizada. Pra onde fica o norte? Devo estar zonzo…

“E que tudo se estabilize no salão, pois assim ordeno!”
(…) Até quando terei que esperar pra conseguir dar essa ordem à mim mesmo?

No fundo sei que sou meu chefe, mas insisto em agir como subordinado.
No fundo, também sei que se deixar levar pelas emoções levam à muitas aventuras e histórias que se eternizam; porém, se guiadas por emoções saudáveis, e não por essas que insistem em virar janta de maquialéficas lembranças, que só se interessam em sobreviver, não importanto os meios.

Mas lamentos não matam a fome do miserável, e se é atitude o que eu preciso, é o que buscarei.

Eu, o objeto.

Vivo encontrando capas novas em objetos velhos.
Capas descoladas, capas comuns, capas simples, mas quase nunca capas transparentes.
E, mais e mais, vejo objetos perdendo o conteúdo, virando simples cascas suportando capas que não condizem absolutamente com nada que é real, que vem de dentro: com a essência do objeto.

Pois bem.

Resolvi mudar.
Sabe, nadar contra a maré. É um desafio, mas vale a pena no final.

Sim, eu procuro a transparência da minha capa. Quero ser somente o objeto. Simples, direto e funcionando de acordo com o plano, sendo esse último algo muito maior, algo difícil mas ao mesmo tempo alcançável: ser eu mesmo.

"Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração…"
--- Chico Buarque

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